Não quero tirar
minha lente
e só enxergar
o vermelho dos meus olhos
machucados, de tanto tempo
dado e esquecido,
tecido leve. E só entao
a tiro, porque ela quer sair. E só
com dificuldade que arranco
com ela meu vermelho
já morto acumulado
na lágrima velha e seca.
dezembro 15, 2007
enough
voz de ressaca e corpo de quem morre
ao acordar
achava que meus olhos, colados
à minha boca, me
entregassem
ao acordar
achava que meus olhos, colados
à minha boca, me
entregassem
mãos frias
cultivada a ânsia dentro
da paciência o vômito
sob o papel bolha assopra
o vazio apertado
do estômago ao útero, antes
e depois na bola
de gude
da paciência o vômito
sob o papel bolha assopra
o vazio apertado
do estômago ao útero, antes
e depois na bola
de gude
dezembro 05, 2007
coita
uma quase cantiga
escrever num blog tem lá suas características. nem precisamos de uma poética, hoje em dia, pra sabermos traços comuns a esse gênero. quer que se diga, como principais linhas, tem-se o cunho subjetivo, pessoal,
Minhas amigas, quero falar hoje, mais uma vez, de amor. Quero falar não. Quero cantar. Quero poetar. Quero trovar. Sou hoje como uma camponesa falando com sua mãe, suas amigas, suas irmãs, a natureza sobre o amigo que está longe.
E como estou num blog, posso explorar muito mais conteúdos semânticos, assim como essas cantigas de amigo. Não me importo, melhor, nao me preocupo em ter nenhuma argumentação persuasiva e sintaxe complexa como dizem ter nas cantigas de amor: muita subordinação, abundância de conjunções causais, temporais, conclusivas, adversativas.
Hoje não. Hoje quero falar de amor. Quero falar de amigo. Quero construções coordenadas. Quero refrão se assim me aprouver.
Hoje, minha amiga, estou na coita de amor, já que nao vem e nao responde meus emails o meu amigo. Ele nao vem, ai. Estará ele mortou ou vivo? Ele nao vem e ai, meus cabelos, com fitas nao os arrumo. Algo burocrático ou importante o detém? Ele nao vem, e ai, o perfume que me deu nao uso. Tem meu amigo, outra amiga consigo? Ele nao vem e o chapéu que me dei, nao o uso. Amigas, nao sei o que fazer. Neste espelho nao mais me verei. Nem todos os presentes que me deu meu amigo poderei usar. Pois ele aqui nao vem.
Hoje queria bailar, queria mais doas, queria muitos refrãos de bom grado. Queria ele me dizendo em refrão que de mim gosta muito.
Mas agora, sem meu amigo,
Estou desaconselhada.
Quero bailar. Quero doas. Se assim a mim for de bom grado.
Quero assim porque os blogs são a possibilidade de outros jograis cantarem. Tanto eu, quanto qualquer um. Pode ser um camponês, pode ser um vilão.
escrever num blog tem lá suas características. nem precisamos de uma poética, hoje em dia, pra sabermos traços comuns a esse gênero. quer que se diga, como principais linhas, tem-se o cunho subjetivo, pessoal,
Minhas amigas, quero falar hoje, mais uma vez, de amor. Quero falar não. Quero cantar. Quero poetar. Quero trovar. Sou hoje como uma camponesa falando com sua mãe, suas amigas, suas irmãs, a natureza sobre o amigo que está longe.
E como estou num blog, posso explorar muito mais conteúdos semânticos, assim como essas cantigas de amigo. Não me importo, melhor, nao me preocupo em ter nenhuma argumentação persuasiva e sintaxe complexa como dizem ter nas cantigas de amor: muita subordinação, abundância de conjunções causais, temporais, conclusivas, adversativas.
Hoje não. Hoje quero falar de amor. Quero falar de amigo. Quero construções coordenadas. Quero refrão se assim me aprouver.
Hoje, minha amiga, estou na coita de amor, já que nao vem e nao responde meus emails o meu amigo. Ele nao vem, ai. Estará ele mortou ou vivo? Ele nao vem e ai, meus cabelos, com fitas nao os arrumo. Algo burocrático ou importante o detém? Ele nao vem, e ai, o perfume que me deu nao uso. Tem meu amigo, outra amiga consigo? Ele nao vem e o chapéu que me dei, nao o uso. Amigas, nao sei o que fazer. Neste espelho nao mais me verei. Nem todos os presentes que me deu meu amigo poderei usar. Pois ele aqui nao vem.
Hoje queria bailar, queria mais doas, queria muitos refrãos de bom grado. Queria ele me dizendo em refrão que de mim gosta muito.
Mas agora, sem meu amigo,
Estou desaconselhada.
Quero bailar. Quero doas. Se assim a mim for de bom grado.
Quero assim porque os blogs são a possibilidade de outros jograis cantarem. Tanto eu, quanto qualquer um. Pode ser um camponês, pode ser um vilão.
novembro 28, 2007
fechada
It's closed.
It's done. I did shut the window. but not the glass.
It's shut and I'm leaving.
i'll change the bed too.
let me go.
don't be rude.
don't be what you've not expected.
cause "I have honored your request for silence
And you've washed your hands clean of this"
fechado. a janela.
fechei. nao o vidro.
fechei e estou de saída da casa.
trocarei também a cama.
It's done. I did shut the window. but not the glass.
It's shut and I'm leaving.
i'll change the bed too.
let me go.
don't be rude.
don't be what you've not expected.
cause "I have honored your request for silence
And you've washed your hands clean of this"
fechado. a janela.
fechei. nao o vidro.
fechei e estou de saída da casa.
trocarei também a cama.
novembro 27, 2007
Va a sanar
Sinto muito por coisas erradas.
A gata entra na minha janela quando quer. E sem pedir licença.
Sobressalto.
Ela vai-se.
Mando-a embora.
Sinto pena de tê-lo feito.
Sinto falta dela.
Antes assim.?.
Sinto demais por coisas erradas.
Ela que procure outra janela pra adentrar.
Outra casa pra se proteger.
Nao quero sentir.
Nao quero a gata.
Nao quero sentir falta dela.
Nao quero sentir muito.
Mesmo com a janela fechada.
Nao a veneziana. O vidro.
Se a gata quiser
olhar pelo vidro.
Puff away!
A gata entra na minha janela quando quer. E sem pedir licença.
Sobressalto.
Ela vai-se.
Mando-a embora.
Sinto pena de tê-lo feito.
Sinto falta dela.
Antes assim.?.
Sinto demais por coisas erradas.
Ela que procure outra janela pra adentrar.
Outra casa pra se proteger.
Nao quero sentir.
Nao quero a gata.
Nao quero sentir falta dela.
Nao quero sentir muito.
Mesmo com a janela fechada.
Nao a veneziana. O vidro.
Se a gata quiser
olhar pelo vidro.
Puff away!
novembro 23, 2007
levantou-se
Levantou-se, empurrada pelo calor do quarto e o sol do lado de fora fazendo as pessoas pedirem perdão, pronunciando todas, atordoadas, todas ao mesmo tempo, a palavra sono. Ela, sibilava forte, o que fremia em desvelo os corpos presos aos carros da cidade em redor. Nervosos porém, ninguém devolvia o assobio agudo. (O mínimo que poderiam fazer!)
Sim, levantou-se então e mesmo assim. Ela deveria deixar o mínimo, de desespero. Por que continuar se sabia que o barulho do suposto telefone seria mais alto que todos os sibilos de sono morto, induzido por coliformes fetais em água da rede de distribuição e manutenção biológica, instituição esta honradamente montada a fim de assegurar a segurança e o conforto dos cidadãos pagantes, como diziam solícitos os jornais.
Não havia como se desvencilhar. O resto não importava. Estava posta iminente como um dejá-vu ainda desconhecido. Hora certa. No despertador. Escolhido reflexo. Dois passos em direção à pia da cozinha.
Pega em ato um invasor curioso e meticuloso. Espanto! Ainda mais arguto que as racionalizações às quais se colocava diariamente. Meticulosidade de pelo, de unha. Espertamente ciente de sua condição, olha furtivo pra ela, a controladora daquelas paredes em pé, e sai num curisco.
Ela, já plenamente envolvida de necessidade e urgência, sai atrás, desapoiada das paredes. Pequenos passos fora e pára, sentindo não mais seguir algo em movimento. Passado o susto, em meio a ínfimos segundos, sagaz calma suspensa, se encaram: uma gata e ela.
A gata, simplesmente olha fundo, pula libertinamente sutil pra cima do muro e, em seu infalível andar, se aproxima da moça do quarto quente e escuro, sem descuidar do olhar fixo e insuperável. A gata no muro do longo corredor, onde embaixo, estava a menina do quarto, fitando. Olhares e ares de cumplicidade e desejo.
Foi o começo e o fim de uma afinidade perigosa. E a garota nao voltou pro quarto por um bom tempo.
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