setembro 25, 2007

Pássaros irritantes

tudo que sou não são
só palavras

eu apenas
as coleciono

enquanto elas dormem tarde
no meu travesseiro sem plumas







Coral





Essa noite acordei
com medo do
vento forte olhando todo meu quarto escuro e vazio.
E no entretanto,
amanheci
ao som de um céu de azul estendido.

dúvida

coleciono rascunhos
quero dormir
quero legendas sem som
Em caso de incendio, quebre

gosto de praça

Existe dia plácido após frisson de noite furiosa?

OVER U:
nova nao estou,
mas em pedaços
me satisfaço
e anoite,
ou no fim do dia,
adormeço;
e mantenho sempre
fluxos alentadores
e pessoas queridas..

pra que comer e comer e comer?! é bom, uns distraídos diriam; é relaxante, observariam os zens, é nutritivo, os racionais; é preenchedor, os carentes; assim como tantos outros. mas, talvez meu estômago, continua se me perguntando. Fique em estado suspenso, tendendo a sereno. Aprecie o limiar de tristeza e alegria. Nao queira se empanturrar até explodir. Também nao seque e rache. tudo isso te apaga, nao é mesmo?! toque, da maneira que bem entender, e aperte, a leve névoa que paira sobre o chao após uma chuva torrencial.


O que quero ver sentir com todo esse espinhal é que - te sinto (vida) - e te quero presente em meio à minha solidao.

Que sabe, sentir o prazer, mesmo que inevitavelmente entremeado de dor, posto que assim tudo se expande sensivelmente.

Sol com Chuva

À L.

Agora, entrelaço pedaços infinitos
de suspirantes e coloridos
espaços soltos.
Estão todos ali, parados, flutuando
sobrepostos à nossa pele.

O quarto, completo de um sereno
- o mais úmido -
tranparente e volátil,
adensa nossa volta
com sorrisos cheirando a maré

Braços com lábios mais pescoços com palmas
Dedos e cabelos e costas
Todos compridos
Todos quentes
Escorrem olhando pra mim
e inspiram e respiram
o outro satisfeitos

agosto 31, 2007

zumbido



ele desapareceu. e eu não estranhei. o quanto desejei a sua morte. eu o dilacerava em estilhaços apodrecidos. elaborava estratégias cruentas. sua voz me ensurdecia. seu rosto sujo e entranhado me enojava. sua possível presença em mim me torturava. não fez portanto mais que a obrigação tantas vezes negligenciada com paixão doentia.
e eu que achei que o havia matado, aliviada. dia desses (hoje) ele tomou a liberdade de me ser útil. não que eu precisasse. apenas por ignorância o permiti.
ele, esbaforido. olhos vermelhos. pés repletos de calos. cascas opacas ao seu redor. distância e impaciência exalando.
cada passo seu e me repele. eu desejo que se cale. desejo que se mastigue. que vire vomito longe daqui. desejo tão sonhado. ânsia de dor finita.
subitamente descubro que por rapidez (falta de preparo?) construo uma estrutura de vidro. (poderia ser outra?). prédio alto. vazio e abrangente. límpido e de vidro. circundado por grama. onde posso entrar se quiser. eu quero. dentro é aconchegante e frio. paisagem escura refletindo pontinhos de estrelas.
olho dentro de uma das janelas. procuro algo. quero, pego-o. o prédio em minhas mãos. todo liso, formas contínuas e retas. talvez se eu fosse vidro. talvez eu gostasse.
e os gritos saem da terra ansiosos. atrás de mim. cores infantis. correria. o prédio balança.
me protejo endurecendo o céu. ninguém me . lampejos e fios de cabelo. estou na minha cama e o lençol me prende. eu emaranhada encostada no teto. muita água e eu reboco de parede. e eu presa num banheiro cheio de ecos.
respiro fundo. os olhos tateiam o escuro. expiro. os seres amorfos por enquanto desistem.
mas infelizmente ainda ouço o ronco da sala. até amanhã ele ainda ali acorda.
depois de amanhã, nunca mais o deixo voltar.

agosto 17, 2007

tarde



uma luz se acende. sento à janela. ao meu redor, a noite. na noite, seu rosto. na luz o passado.
no presente a dúvida. na janela um soluço.
o choro está seco. nele adormeço.
será tarde? o relógio, parado. o relógio na parede grossa. na parede a luminária verde.
no verde o cheiro esquecido de sua boca.
não quero saber a hora. não quero saber do tempo. bem passado todo o tempo. agradeço. a luz se apaga.

Pétala



silêncio inocente
não vê quem sente
sua latência
repleta de carência
por isso nao importa (se)
suave vaga
enquanto em indolência
passa sua tinta branca
e insana na grama

e se esconde

fica refletido nas entrelinhas
suspirando solenemente

quem cismar
pode gritar
e no eco se olvidar
se batendo se debatendo
...indo...
simples sopro soltando socos em nossos rostos

agosto 15, 2007


Um amor, um culto de sonho, a que nenhuma realidade serve de alicerce... E que me decompôs.

Na gaveta da escrivaninha, nadando entre mil quinquilharias. Num desenho inanimado pintado com lodo.