setembro 04, 2009

junho 24, 2009

o que se vira

Nervoso

Ouro no bolso

Sem esforço

Era o lema

De cada rosto

Que o gigante tsunami

Comera sem gosto


E naquele exato

E rápido

Momento

O que se vira

Se diga

De passagem

Poucos saberiam

Pois não são

Coisas que assim

Sem motivo

Se encontram

De repente

Nem sequer

Cercado

O coitado estava


Se redimira

Do que antes

Rira

Agora sem dente

Carente como solvente

De retaguarda

Soluço retirado

Do marca-passo

Em contagem regressiva

Todos suados

Sem sapatos

Olhares alagados

O trabalho foi desprezado

Enquanto o sofrimento

Tempo não deu

Depois deposto

E deixado de lado

Coisa de mercado

Foi o que não sobrou

Apenas derrota sem nome

De um gigante infante

Mal tratado como poucos

Por tanto tempo

É bom que

Se diga

De passagem


O caos tête-à-tête

27.12.2008

Toda de papai Noel

Vestida

Para o gosto

Dos mais caretas

Toda linda

No Natal

Sem sal

Pão e vinho

Sobre a mesa

Recostada na toalha

Ouve o sermão

Da avó

Que em nenhum ouvido

Faz sentido

Risadas sem graça

A calçada sobra

Lá fora

o sono esgota

nos copos com álcool

de cada presente

surpresa?

Cadê a sobremesa?

A essa altura

O estômago empanturrado

Arrota

Se volta

A revolta

Revira-e-volta

Dá meia volta

Pede escolta

Olha o peru assado

Nada

Sozinho se molda

Nem suporta

Tiro nas costas

De senhoras

Mal cheirosas

Nervosas e preconceituosas

Soldados expostos

Rostos cortados

No relógio

Não há volta

Gigante senhora

De retórica assombrosa

Sem resposta

Enmuda

Mas não esquece

A tragicomédia

Da selva

Novelas de espanto

Inibem prantos

Em festa trabalho e pão

Em sentinelas da reserva

Infestam todas as festas

Como se pregassem peças

E o que resta

Se piora esbarra

Nos últimos minutos

Para a salvadora

Comemorações de fim

De ano

Em ano

A cada

Uma

Que cala

A boca e mente

Invente um foguete

Feito de sorvete

Com destino à marte

Em expedição

Sem deserção

Nem obrigação

De comoção

Ou colchão

Dessa gig sem razão


Su casa pero no mucho

Su casa pero no mucho

Surrealista

Não ameniza,

Ataca a política

De sonho, retorcida,

Nos últimos suspiros

De quem nada acredita

Pois a vida eterniza,

Ensandecida,

Os erros

Grandes feitos,

E mantém, esquecida,

Os que queriam dela

Apenas acolhida

Por ódios não curados.


Carapaça

(termina corrompida)
Poder de sumiço, aparecido a serviço do quebradiço almoço de todo dia nas casas dos moços de família e, de bolsos cheios, muitos deles.
Tendo então exposto todo o engodo, partiu, para desgosto, a alimentar o enxofre, já que o sangue, condenado, sem respaldo, não seria trocado. Ficaria enlatado, para que outros não fossem intoxicados; e, livres da desgraça, fossem, sem ressaca, tomar cachaça em outras praças.
Sem graça, sem que a carapaça caia, alguém disfarça.

significado

Sem mais, passo.

O significado é um achado que está ao lado de cada um que se coloca, sentado, ou mesmo deitado, (porque não), disposto a ler e a entender.

Dito isto, que fique explícito o comunicado.



Sussurro


(inspirado em Saramago, Objecto Quase)


Vai, mesmo exaurida, em ação, digamos, que altruísta, não propriamente de despedida de algum tipo de tentativa purista, não, mais para turista, com um quê de anarquista. Pois bem, chega na sala de espera e, sendo solícita, faz o pedido para a analista. Esta, após longa lista, dá a notícia já anteriormente prevista: não seria atendida, pois, por ânsia e ignorância, passiva, não aterroriza. Avisa, como quem aterriza, que, tempos atrás, porém ainda nessa vida, havia ingerido remédio hoje proibido. Infelicidade que se dá por conta da nossa medicina, que a mídia contagia, com esperanças em embalagens longa-vida.

Não mais sofrida, busca, assumida, tomada pela adrenalina que vinga na subida: vai praquela mesma mídia que a todos resfria quando anuncia a aspirina.

Dessa vez não seria passiva, seria diferente, iria em frente com o que acredita que sente.

Simplesmente diria e, se preciso fosse, gritaria. Ainda por cima, silenciaria o que a todos entedia e azucrina. O que se ouviria se repetiria, até que um belo dia, não restaria dúvida alguma, e tudo estaria provado e comprovado, enquanto o que restasse, reprovado seria, por alarme falso.